Outubro 2020 (coluna)
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Introdução

A Sacroileíte é uma inflamação de uma ou ambas as articulações sacroilíacas (SI), sendo uma causa comum de dor lombar ou nádegas, eventualmente irradiando para os membros inferiores. Ela pode corresponder a uma ampla gama de processos de doenças. Na maioria das vezes o diagnóstico clínico da sacroileíte é difícil, dependendo substancialmente da confirmação dos achados radiológicos, em que a radiografia convencional e, principalmente, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) assumem papel primordial.


Patologias causadoras

Acometimento normalmente bilateral e simétrico:

• Doença de Crohn;

• Colite ulcerativa;

• Espondilite anquilosante;

• Artrite reumatoide;

• Doença de Whipple;

• Retículo-histiocitose.


Acometimento normalmente bilateral e assimétrico:

• Gota;

• Artrite psoriática;

• Artrite reativa (Síndrome de Reiter);

• Osteoartrite;

• Policondrite recidivante;

• Doença de Behçet.


Acometimento normalmente unilateral

• Processo destrutivo neoplásico;

• Infeccioso (artrite séptica piogênica, tuberculose sacrilíaca, brucelose);

• Paraplegia;

• Síndrome de SAPHO.


Diagnósticos diferenciais

• Hiperparatireoidismo;

• Osteíte condensante.


Classificação radiográfica (critérios de Nova Iorque)

• Grau 0: normal;

• Grau 1: borramento das margens (alterações suspeitas);

• Grau 2: esclerose mínima com alguma erosão;

• Grau 3: esclerose definitiva em ambos os lados da articulação ou erosões graves com alargamento do espaço articular com ou sem anquilose;

• Grau 4: anquilose completa.


Tomografia Computadorizada

Os exames de tomografia computadorizada oferecem maior sensibilidade, precisão e informações detalhadas que a radiografia simples. No entanto, devido a maior exposição à radiação, não é aconselhável usar a TC para fins de diagnóstico e acompanhamento.


Ressonância Magnética

Embora não seja usada rotineiramente para avaliar as articulações sacrilíacas, a ressonância magnética é capaz de identificar alterações inflamatórias iniciais das articulações quando outras imagens são negativas e exclui outras causas diferenciais.

Classificação ASAS (Avaliação da Sociedade de Espondiloartrite) se divide em duas categorias:

1- Sinais da ressonância magnética obrigatórios:

• Edema de medula óssea em uma sequencia ponderada de T2 ou aumento de contraste da medula óssea em uma sequencia ponderada de T1. O edema de medula óssea deve estar presente em duas imagens consecutivas ou apresentar múltiplas lesões em apenas uma imagem;

• A inflamação deve estar claramente presente e localizada em uma área anatômica típica (osso subcondral);

• A imagem ser altamente sugestiva de espondiloartropatia.

2- Sinais da ressonância magnética não obrigatórios:

• A presença única de outras lesões inflamatórias, como sinovite, entesite ou capsulite sem edema de medula óssea concomitante, não é suficiente para definição de sacroileíte ativa;

• Na ausência de sinais de edema da medula óssea, a presença de lesões estruturais, como metaplasia gordurosa, esclerose ou anquilose, podem ser consideradas lesões crônicas, porem não sacroileíte ativa.


Tratamento e prognóstico

O tratamento dependeria da causa da doença, enquanto a fisioterapia pode ser útil para fortalecer o músculo pélvico e aumentar a mobilização da articulação sacrilíaca. Uso de AINES nos paciente sintomáticos. A fusão cirúrgica é considerada o último recurso quando outro tratamento conservador é ineficaz.


Sacroileíte séptica

A artrite séptica é uma artropatia destrutiva causada por uma infecção intra-articular que geralmente está relacionada a sintomas graves, como dor e diminuição da amplitude de movimento. Essa condição requer tratamento imediato com o objetivo de evitar danos permanentes à articulação, que podem resultar em deformidade crônica ou artrite mecânica.


Apresentação clínica

O diagnóstico de sepse articular costuma ser considerado direto. Os pacientes geralmente apresentam dores nas articulações, febre e líquido sinovial purulento.


Patologia 

Os fatores de risco para artrite séptica incluem bacteremia, idade avançada, estado imunocomprometido, artrite reumatóide, injeções intra-articulares e próteses articulares.

Na ausência de trauma ou instrumentação recente da articulação, a artrite séptica geralmente é secundária à disseminação hematogênica. S. aureus é o agente mais comumente isolado.


IMAGENS RADIOLÓGICAS

• Radiografia 

Podem ser normais no estágio inicialda doença; passando por derame articular, podendo haver osteoporose justarticular devido devido a hiperemia, estreitamento do espaço articular devido a destruição da cartilagem na fase aguda, destruição do osso subcondral em ambos os lados de uma articulação, se não for tratada esclerose justarticular reativa e em casos graves a anquilose se desenvolverá.

• Tomografia Computadorizada

As caracteristicas são semelhantes às encontradas nas radiografias, sendo um nivel de fluido de gordura pode ser um sinal, na ausência de trauma.

• Ressonância Magnética

Sensivel e mais especifico para dano cartilaginoso inicial

T1: baixo sinal em dentro do osso subcodral;

T2: edema perissinovial;

C+ (Gd): realce sinovial.


Tratamento

Os principios de tratamento consistem basicamente na drenagem e uso de antibióticos. Se o paciente estiver hemodinamicamente estável o ideal e colher uma amostra do fluido articular acometido, permitindo o tratamento direcionado da infecção. Se não for reconhecida e não for tratada, a artrite séptica pode resultar em dano articular irreversivel em 48 horas após o inicio da infecção. 


Referencias:

https://radiopaedia.org/articles/septic-arthritis?lang=us

https://radiopaedia.org/articles/sacroiliitis-differential?lang=us

https://radiopaedia.org/articles/sacroiliitis?lang=us

https://radiopaedia.org/articles/asas-sacroiliitis-classification-system?lang=us

https://radiopaedia.org/articles/sacroiliitis-grading-new-york-criteria?lang=us

//www.rb.org.br/detalhe_artigo.asp?id=2884


AUTORES


Dr. Felipe Amsterdam Maia de Sandres, Dr. Rafael Gouvea Gomes de Oliveira, Dr. Társio Amaral Oliveira



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